Isaias Andrade Lins Filho: Ensino teológico sem ser autorizado é uma temeridade! REPENSANDO O PREPARO TEOLÓGICO.
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REPENSANDO O PREPARO TEOLÓGICO.

*Isaias Andrade Lins Filho



É tempo de repensar o que tem acontecido no meio denominacional
Batista e, de entender que o Ministério Pastoral Batista, de hoje,
requer daqueles que são vocacionados para a Obra, um preparo, além
daquele que é ministrado nas Casas de Educação Teológica em
funcionamento, seminários e faculdades, isto porque, os dias de hoje,
fim desta primeira década do século XXI, estão a requerer algo
desafiador e que acompanhe o desenvolvimento do mundo atual.



Ao comparar os Cursos Teológicos, hoje em dia oferecidos, com o curso
que fiz entre os anos de 1964 a 1968, no Seminário Teológico Batista
do Norte do Brasil - STBNB em Recife sinto perfeitamente, que o ensino
teológico, bíblico, eclesiástico, doutrinário, homilético,
apologético, exegético e hermenêutico, caiu de maneira extremamente
notada, chegando muitos até a dizer como já ouvi milhares e milhares
de vezes, e, tenho ouvido constantemente uma lamentável expressão que
denota a apreensão e o sentimento de muitos de nossas Igrejas: "é...
não se prepara mais pastor, como se preparava antigamente...".


Acontece, que os lamentos sentidos atualmente, se prendem sem dúvida
alguma, ao aspecto confessional, que tem sido de uma forma ou de
outra, relegado a segundo plano na maioria das entidades, faculdades e
seminários responsáveis pelo ensino teológico, para as quais são
enviados os seminaristas e as seminaristas dos dias de hoje.
O aspecto confessional tem sido tão relegado, que existem professores
e professoras ministrando em nossas Casas de Ensino Teológico, sem
qualquer compromisso com a obra e, muito menos com o preparo especial
que devem ter aqueles que estudam nos seminários e faculdades, porque,
do Senhor receberam um chamado especial e, cheios de ideais
evangelísticos ,eclesiásticos e desejosos de algo relevante e
inspirador, verdadeiramente edificante,procuram receber um preparo que
os capacite para o exercício do Ministério Pastoral.


Todavia, além do aspecto confessional que tem sido deixado de lado,
não se pode também deixar de clamar e de ressaltar que existe uma
gritante necessidade nos dias atuais, de serem ministrados também,
ensinamentos, pelo menos básicos, sobre disciplinas como Administração
e Direito, que poderão fornecer aos educandos, um mínimo de condições,
para que no término dos seus cursos teológicos, não sejam lançados no
"mercado de trabalho" das atividades ministeriais, tão indoutos,
desconhecendo pelo menos o que é básico em termos de administração e
de direito, isto porque, apenas a eclesiologia hoje, não dá respaldo
para a resolução de determinadas situações que são enfrentadas no
dia-dia deste mundo globalizado que aí está.



Desta forma, além do aspecto confessional que não pode ser desprezado
na ministração de nossas entidades de preparo teológico, existe de
forma imprescindível que os currículos sejam repensados e, inseridas
disciplinas outras que ajudem aos que se preparam para enfrentar as
atividades ministeriais a frente das igrejas batistas, exigindo-se
também, dos ilustres professores dos seminários e faculdades
teológicas, um mínimo de compromisso com o Senhor da Obra, isto
porque, com a exigência acadêmica que é extremamente necessária, estão
adentrando, mestre com, ou sem, compromisso com Jesus, basta que sejam
capacitados para ministrarem, exibindo, sobretudo a capacitação
técnica.


Por outro lado, uma Casa de Ensino Teológico hoje em dia, voltada
exclusivamente para o aspecto confessional, não terá como prevalecer
e, não dará ao aluno que se prepara para o Ministério, a condição de
enfrentar com tranquilidade e em pé de igualdade acadêmica, os demais
alunos das faculdades e universidades existentes, havendo, portanto
como que , em caráter irreversível e imprescindível, a exigência da
autorização (inicialmente) e do reconhecimento (alguns anos depois)
pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC,


Fazer um Curso Teológico nos dias de hoje , em Casas de Ensino que não
sejam autorizadas e, ou já reconhecidas pelo MEC, é uma temeridade,
pelo fato de que , no final do curso, tais alunos, por mais elevados
que sejam os seus ideais sobre o ministério, sempre serão , caso não
convalidem o curso realizado numa instituição credenciada pelo MEC,
pessoas que não têm curso superior, e, por conseqüência, pessoas sem
condições intelectuais e acadêmicas, de fazer-se sentir junto a uma
juventude que por vezes, já em tenra idade se encontra nos bancos das
universidades, cursando os mais variados cursos que lhes assegurarão
entrarem no mercado de trabalho para exercerem com capacidade técnica
as diversas profissões.


Eu mesmo, senti a necessidade de convalidar o Curso de Bacharel em
Teologia que realizei, com preparo especial para o Ministério da
Palavra, nos idos de 1964 a 1968 no STBNB de Recife, em uma das
Faculdades Teológicas de hoje, já reconhecida pelo MEC, pois, eu mesmo
não me sentiria tranquilo, mesmo tendo várias outras graduações de
universidade, se não tivesse convalidado o Curso de Bacharel em
Teologia e, não tivesse a chancela do Ministério da Educação e
Cultura eu não estaria tranquilo, porque, a verdade é que, do jeito
que está, nenhum Seminário e nenhuma Faculdade apenas confessional,
poderá expedir qualquer DIPLOMA de BACHAREL em TEOLOGIA como se fazia
antigamente e, se o fizer, estará cometendo crime de falsidade
ideológica, estando até mesmo, sujeita a Instituição e sujeitos os
seus dirigentes a responderem por crime também de estelionato.


Vale, ou não repensar o PREPARO TEOLÓGICO?



*Isaias Andrade Lins Filho

Presidente do Conselho Diretor do Seminário Teológico Batista do Nordeste-STBNE
professor universitário, advogado e pastor da Igreja Batista dos Mares
em Salvador - Bahia.